Para além de um sentido bio-lógico: relações de corpo e gênero em documentos curriculares nacionais e estaduais de ciências e biologia. Este estudo analisa como corpo e gênero são tratados em currículos de Ciências e Biologia no Brasil. Expõe a "política do silêncio" que marginaliza e defende uma pedagogia inclusiva e diversa.
Através do avanço da Ciência e Tecnologia alcançamos diversas melhorias para o desenvolvimento da vida humana, porém ao mesmo tempo, aliada a questões sócio-político- culturais, firmaram-se algumas noções equivocadas em relação às questões de corpo e gênero, ajudando a sustentar normatividades que marginalizam certas corporeidades. O problema se agrava quando essa imagem deturpada de uma ciência “bio-lógica” gera uma prática pedagógica que reproduz discursos que marginalizam populações subalternizadas. Neste contexto, o presente trabalho busca investigar como discussões de corpos e gêneros-diversos são abordados em documentos reguladores das disciplinas de Ciências e Biologia na Educação Básica brasileira. Esta pesquisa tem caráter documental, na qual nos propomos analisar o discurso sobre as relações de corpo e gênero nas seções referentes às Ciências Naturais na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e na maioria dos currículos estaduais brasileiros. Na BNCC observamos uma “política do silêncio” em relação a discussão de corpo e gênero no documento, o que ainda influenciou a maioria dos currículos estaduais a seguirem o mesmo caminho. Por fim, é urgente pensarmos uma outra práxis para o Ensino de Ciências e Biologia que também abarque “outres sujeites”, promovendo reflexões ao ambiente escolar afim de romper com a discriminação de corpos e gêneros-diversos.
O presente trabalho, intitulado "Para Além de um Sentido Bio-Lógico: Relações de Corpo e Gênero em Documentos Curriculares Nacionais e Estaduais de Ciências e Biologia", aborda uma questão fundamental e extremamente relevante para a educação contemporânea brasileira. Os autores articulam de forma concisa como o avanço científico, embora benéfico, pode inadvertidamente consolidar noções equivocadas de corpo e gênero quando desconsiderados os complexos contextos sociopolíticos e culturais, resultando na marginalização de certas corporeidades através de práticas pedagógicas que reproduzem discursos discriminatórios. O objetivo central da pesquisa é investigar a maneira pela qual discussões sobre corpos e gêneros-diversos são contempladas nos documentos reguladores das disciplinas de Ciências e Biologia na Educação Básica brasileira, um esforço crucial para identificar lacunas e oportunidades de inclusão. A metodologia empregada é de caráter documental, com foco na análise discursiva das seções de Ciências Naturais na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e na maioria dos currículos estaduais. Essa abordagem permite uma avaliação direta das diretrizes oficiais que moldam o ensino. O principal achado da pesquisa é a observação de uma alarmante "política do silêncio" na BNCC em relação à discussão de corpo e gênero, uma omissão que, segundo o trabalho, influenciou a maioria dos currículos estaduais a seguir o mesmo padrão. Essa constatação aponta para uma falha sistêmica na promoção da diversidade e inclusão dentro dos marcos curriculares nacionais e regionais. A pesquisa oferece uma contribuição significativa ao iluminar a ausência de discussões sobre corpos e gêneros-diversos em documentos educacionais basilares. A identificação da "política do silêncio" não apenas revela uma lacuna, mas também sugere uma possível negligência ou subvalorização dessas temáticas vitais. A conclusão do trabalho ressalta, com propriedade, a urgência de conceber uma nova práxis para o Ensino de Ciências e Biologia, que seja inclusiva de "outres sujeites" e promova reflexões no ambiente escolar visando romper com a discriminação. Este estudo é um chamado premente para educadores, formuladores de políticas e desenvolvedores de currículos para reavaliar e reformular as abordagens atuais, garantindo que a educação científica seja verdadeiramente equitativa e socialmente justa para todes.
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By Sciaria
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