Corpos, coisas e políticas do luto em huaco retrato (2021), de gabriela wiener. Analisa 'Huaco retrato' de Gabriela Wiener, explorando as políticas do luto, vulnerabilidade e discriminação racial. Questiona a distribuição desigual da perda e o paradigma europeu.
O presente artigo apresenta uma análise do trabalho de luto desenvolvido pela narradora do livro Huaco retrato, da escritora peruana Gabriela Wiener, valendo-se da teoria da vulnerabilidade humana de Judith Butler e da noção de luto infinito exposta por Christian Dunker. O trabalho examina, ainda, a circulação de corpos e coisas na escrita de Wiener, a partir das observações de Roberto Esposito sobre o estatuto de pessoa e das críticas de Aníbal Quijano à epistemologia colonial. Do mesmo modo, a noção de atmosfera ajuda a discutir a produção dos afetos. Os resultados sugerem que Huaco retrato questiona a distribuição desigual do luto através do encadeamento das perdas íntimas às memórias da discriminação racial e às demandas de reparação coletiva. Nesse processo, a emergência da escrita do corpo revela a relação entre luto e desejo, além de desafiar a divisão sujeito/objeto fundante do paradigma europeu de racionalidade.
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