Os sentidos da descolonizaÇÃo. Uma anÁlise a partir de moÇambique . Explore a dimensão epistêmica do colonialismo moderno em África, analisando as narrativas eurocêntricas sobre o Sul global a partir da perspetiva moçambicana.
A DIMENSÃO EPISTÉMICA DO COLONIALISMO MODERNO NO CONTEXTO AFRICANO Muito do que sabemos sobre o continente africano parte do Sul global[1] é ainda reflexo de representações forjadas no centro de um saber de matriz eurocêntrica que reforçam a permanência das perspectivas do Norte sobre o Sul (Ramose, 2003: 600). Este posicionamento teórico e metodológico é a afirmação de uma única ontologia, de uma epistemologia exclusiva, cujas tentativas de universalização importa analisar. A ideia da ciência e a tecnologia como dádivas dos poderes imperiais europeus às suas colónias é primordial ao discurso da missão civilizadora, como denuncia Aimé Césaire: Que o Ocidente inventou a ciência. Que só o Ocidente sabe pensar; que nos limites do mundo ocidental começa o tenebroso reino do pensamento primitivo, o qual, dominado pela noção de participação, incapaz de lógica, é o tipo acabado de falso pensamento. (1978: 58) [1] O Sul global coincide apenas parcialmente com o Sul geográfico.
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