Conselho editorial lança a edição n. 30 da revista videre. A 30ª edição da Revista Videre analisa os retrocessos sociais e políticos no Brasil (2016-2022), destacando o desmonte de políticas e a resistência feminina pela democracia e reconstrução.
Desde 2016, ano do golpe à primeira mulher presidenta da República no Brasil, as brasileiras e brasileiros vivem uma série de desmontes de políticas sociais, econô-micas e ambientais, que colocaram novamente o país no Mapa da Fome, aumentaram as violências contra os grupos já vulnerabilizados e trouxeram os holofotes mundiais ao descaso com o meio ambiente. Retrocessos, antes inimagináveis porque havíamos avançado significativa-mente na agenda econômica, social e ambiental, passaram a ser promovidos desde os discursos do então candidato à presidência, Jair Bolsonaro e suas práticas como presidente eleito. Uma espécie de chancela de um representante que realmente falava a linguagem reacionária de parcela da sociedade, significou uma autorização moral para que pessoas empregassem violência contra os grupos vulnerabilizados, como mostram os dados da violência no campo, contra as mulheres e contra os LGBTQIAP+, com o apoio das políticas de armamento da população. Também passaram a fazer parte do cotidiano público os discursos e práticas conservadoras, com base em um fundamentalismo religioso. Palavras como diversida-de, gênero, sexualidade, direitos humanos, crise climática, passaram a ser desvirtua-das objeto de repulsa pelos órgãos de governo. As mulheres, raras vezes participaram do (des)governo, e quando o faziam, eram representadas por figuras conservadoras, como a Ministra Damares Alves.A desidratação orçamentária para as políticas de enfrentamento da violência contra as mulheres é o principal exemplo de como as mulheres foram menosprezadas no (des)governo de Jair Bolsonaro. Talvez seja por isso que a frase de Simone de Beauvoir ressoe tanto ultimamente: “Basta uma crise econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. A resistência, no entanto, é feminina e na contramão dos retrocessos, as mu-lheres têm protagonizado as lutas por direitos, incluindo o de participar ativamente da política, seja no Legislativo, seja na disputa pela presidência nas últimas eleições. Temas como igualdade salarial, proteção das mulheres e a própria noção do termo feminismo ganham destaque nos debates em rede nacional. Finalmente, Luiz Inácio Lula da Silva e as mulheres que fortaleceram as bases de uma aliança contra o fascismo e a democracia venceram as eleições. Devemos olhar para o futuro, sem perder de vista os retrocessos do passado mais recente da história do país, uma vez que o período é de reconstrução e ela só pode ser feminina! O futuro é feminino!É com esse entusiasmo que os editores da Revista Videre trazem ao público o v. 14, n. 30, contendo vinte artigos de autoras e autores preocupados com a realidade social do país, publicando os mais variados textos para reflexão de todos.Esperamos que as leitoras e os leitores possam apreciar a composição desta edição, divulgar o resultado das pesquisas acadêmicas, tão caras à educação de quali-dade e à reflexão das complexidades sociais e, acima de tudo, fazer parte da mudança para que a sociedade se emancipe, cada vez mais. Dourados-MS, 22 de novembro de 2022. Thaisa Maira Rodrigues Held e Tiago Resende Botelho Editores
A 30th edition of *Revista Videre* offers a deeply contextualized and politically charged exploration of Brazil's recent social and political landscape. The abstract immediately immerses the reader in the period following the 2016 impeachment, delineating a series of "dismantlings" of social, economic, and environmental policies that led to significant setbacks, including a return to the "Mapa da Fome" and increased violence against vulnerable groups. It critically examines the impact of the Bolsonaro administration, portraying it as a period where reactionary ideologies gained moral authorization, leading to a rise in conservative discourses, religious fundamentalism, and the undermining of concepts like diversity, gender, and human rights. A central and compelling theme highlighted by the abstract is the critical role of women in both suffering from these retrocessions and leading the resistance. It vividly illustrates how women's rights were questioned and policies designed to combat violence against women were defunded, underscoring this neglect with Simone de Beauvoir's resonant observation. However, the abstract powerfully pivots to emphasize the "feminine resistance" and the active protagonism of women in recent political struggles, culminating in the democratic victory and the call for a "reconstruction" that is unequivocally framed as feminine. This edition, featuring twenty articles, thus promises to offer diverse perspectives on the country's social reality through a lens that prioritizes women's experiences and agency. Ultimately, *Revista Videre* positions itself as more than just an academic journal; it serves as a catalyst for reflection, engagement, and social change. The editors express a clear hope that readers will not only appreciate and disseminate the academic research presented but also actively participate in the journey towards a more emancipated society. By documenting recent Brazilian history, amplifying critical voices, and advocating for a future where women's leadership is paramount, this issue of *Revista Videre* stands as a vital contribution to understanding complex social challenges and fostering a progressive path forward.
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By Sciaria
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