Bagaceiras são elas: um olhar para intersecções e hierarquizações acionadas por masculinidades não-hegemônicas num bar na região periferizada de goiânia-go. Pesquisa etnográfica em Goiânia revela intersecções e hierarquias em masculinidades não-hegemônicas no contexto gay. Analisa gênero, sexualidade, raça e classe.
Este artigo representa um esforço de síntese de pontos discutidos em pesquisa de mestrado. Nele, para cumprir tal propósito, busco privilegiar certa discussão relativa à etnografia do/no Feirão do Chope, bar situado em uma região periferizada da cidade e Goiânia. Em especial busco trazer a tela dados produzidos que permitem um exercício analítico que intersecciona alguns marcadores sociais da diferença, em especial gênero, sexualidade e raça/etnia. Ou seja, nuanço da pesquisa as discussões relativas à categoria êmica “bagaceira” e problematizo seu uso como categoria acusatória por gays para se referir a outros gays jovens, supostamente com menor poder aquisitivo e com uma construção corporal e de performance de gênero que remetem à feminilização. Como resultado conseguimos tanto problematizar uma ideia de igualdade no “mundo gay”, tal qual o faz Isadora Lins França (2012); quanto estabelecer conexões de modo a confirmar a intersecção entre marcadores sociais como gênero, raça e classe com vistas a produção dos lugares sociais hierarquizados e fetichizados em que grupos privilegiados buscam enquadrar outras pessoas e grupos, revelando assim um paralelo contextualizado entre os valores sociais mais gerais e suas possibilidades nas sociabilidades no Feirão do Chope.
Este artigo apresenta uma síntese envolvente de uma pesquisa de mestrado, focalizando as dinâmicas complexas das masculinidades não-hegemônicas e as hierarquias internas entre homens gays em um bar específico, o Feirão do Chope, localizado em uma região periferizada de Goiânia. O trabalho se propõe a analisar como marcadores sociais da diferença, como gênero, sexualidade e raça/etnia, se interseccionam para moldar estas relações. A contribuição central reside na exploração da categoria êmica "bagaceira", um termo pejorativo usado por alguns gays para se referir a outros gays mais jovens, supostamente com menor poder aquisitivo e com expressões de gênero mais feminilizadas. A metodologia etnográfica no Feirão do Chope é um ponto forte, oferecendo uma análise rica e contextualizada que desafia generalizações sobre a "igualdade" no "mundo gay". Ao problematizar o uso da categoria "bagaceira", o artigo ilumina como hierarquias sociais são reproduzidas mesmo dentro de grupos marginalizados, revelando a persistência de preconceitos baseados em classe, raça e performatividade de gênero. A abordagem interseccional é particularmente eficaz em conectar valores sociais mais amplos às micro-sociabilidades do bar, demonstrando como posições sociais hierarquizadas e fetichizadas são constantemente produzidas e mantidas. Os resultados alcançados são cruciais para aprofundar a compreensão das complexidades internas das comunidades LGBTQIA+. Ao confirmar a intersecção de marcadores sociais na produção de lugares sociais hierarquizados, o estudo oferece uma crítica pertinente à idealização de uma comunidade gay homogênea e igualitária. Este artigo se destaca por sua originalidade e relevância, oferecendo uma análise profunda das intersecções de poder e identidade em um contexto geográfico e social específico, contribuindo significativamente para os campos dos estudos de gênero, sexualidade e antropologia urbana no Brasil.
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